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ATUALIZAÇÕES

BATOU JUTSU -
ARTE DA ESPADA
Das experiências vividas por Manji no Japão durante dez
anos, em particular durante as periódicas aulas no Someya
Dojo, lhe resultou o aprendizado e especialização na Arte da
Katana (Batou Jutsu).
Toda a etiqueta, conceitos e fundamentos em se portar uma
Katana estão inseridos nesse treinamento. Na seqüência
trabalhamos os cortes e posturas com a finalidade de
adquirirmos precisão. O corte com ângulo de precisão é
denominado TAMESHI GIRI. O Tameshi giri é praticado no
Someya Dojo sob orientação de Kenichi Someya Sensei, o qual
é o único detentor do Menkyo Kaiden referente ao Batou Jutsu
na Bujinkan.
Vários estrangeiros vão ao Someya Dojo anualmente para
praticar essas técnicas com Katana e seus conceitos
tradicionais. Sensei Manji teve a oportunidade de conhecer
vários instrutores graduados vindos de vários continentes,
chegando a auxiliá-los na compreensão das difíceis técnicas
do Batou Jutsu e Tameshi Giri.
BAURU NA
BUJINKAN
A Bujinkan em Bauru está trabalhando de uma forma diferente,
desde que Sensei Manji viajou ao Japão e encontrou a
verdadeira essência dentro do Ninjutsu da Bujinkan.
A decisão foi de livre vontade da Bujinkan Bauru e daqueles
que buscavam aqui a segurança e as orientações dentro da
Bujinkan e optar por esse novo caminho diretamente do Japão.
Agora sim, podemos afirmar que a Bujinkan fala em português
desde 2000, com um praticante que acompanhou desde o início
a evolução da Bujinkan no Brasil, encontrando-se hoje
treinando no Japão.
O que diferencia a Bujinkan em Bauru e afiliados, daquela
transmitida nas demais regiões do Brasil, é que existe um
novo vínculo Brasil-Japão, através dessa ponte estabelecida
com a vivência do Sensei Manji nesses dois países. As
dúvidas e incertezas do passado deixaram de existir desde
então.
“Àqueles
que acreditaram em nosso trabalho, nos apóiam e estão
apoiando com seriedade nessa empreitada, que fique aqui
registrado o nosso profundo agradecimento e reconhecimento
dos mesmos”.
Obs: Manji foi o primeiro brasileiro a morar e treinar no
Japão, conhecendo e dando continuidade a Bujinkan. Afirma
que anteriormente a ele, dois brasileiros descendentes de
japoneses (um homem e uma mulher), praticaram menos de seis
meses e já não praticam mais.
PERGUNTAS DO
DOJO DE BAURU FEITAS AO SENSEI MANJI EM 2002
Manji:
Existem várias perguntas sobre a Bujinkan. Num breve resumo
tentarei ser o mais claro possível no que diz respeito a:
1 - Como
é o treinamento no Japão?
Manji:
Lá é bem diferente daqui. A diferença é que no Japão, você
realmente pode entender o fundamento das técnicas, partindo
do princípio que estudamos as técnicas uma a uma. Existem
técnicas que levam semanas de treino e prática para que
possamos compreendê-las. Além disso, no Japão as explicações
são de Soke Hatsumi diretamente, e não de intermediários.
Mas, há um grande porém nisso tudo: não têm como compreender
as técnicas, se não souber o idioma japonês. Ver e copiar
uma técnica de um vídeo ou treino é diferente de compreender,
praticar e transmitir. Eu sei que não é possível aprender
Ninjutsu, com 4 ou 5 aulas por ano. Mesmo assim muitos
praticantes o fazem dessa maneira. No entanto devemos
respeitar o limite de cada praticante e saber trocar ou até
mesmo juntar conhecimentos, pois nesse caso se cada um for
em um período diferente do ano ao Japão, podem encontrar
maior facilidade no processo de evolução do Budo.
2 - O
sistema de graduação é diferente?
Manji:
Sim, e não. Sim, porque no Brasil, sei que existem pessoas
que não respeitam o tempo e carência de exame, muito menos a
seqüência de kyu. E não, porque sei que os praticantes que
fazem parte de minha responsabilidade estão seguindo as
Regras da Bujinkan corretamente sob coordenação de pessoas na qual
instruí com as tais. Não existem, Shidoshi-ho formados em
cursos de final de semana. Isso é contra as Regras da
Bujinkan. É necessário primeiro ter os Kyus e tempo de
treinamento, (no mínimo leva-se cerca de 6 a 8 anos de
prática para se chegar ao 1° Dan) não tem como aprender o
conteúdo didático em menos tempo. Quem está treinando a
verdadeira Bujinkan e têm o conhecimento ou já viu a matéria
de exame até o 1° Kyu, entende o que eu estou falando, ela é
bem extensiva e rigorosa. Só lembrando que a Bujinkan é uma
Arte Marcial, por isso deve ser feito o exame com, digamos,
100% de acertos e boa compreensão das técnicas. Tudo isso
deve ser demonstrado através da confiança do praticante na
Arte Marcial. Pode se ver através da postura, base, esquiva e olhar
do praticante. Além do que, o mais importante no exame de
graduação é o conteúdo teórico, no qual faz parte da
filosofia da Arte. Primeiro conhecer a filosofia, para
depois aprender a técnica... É muito importante conhecer a
história de seu instrutor antes de se praticar. São impostas
regras de participação na Bujinkan, para que a pessoa possa
entrar. O praticante tem o direto de saber a origem de seu
Sensei, o qual deverá respeitar as regras impostas a ele por
Soke Hatsumi. Destas regras as quais me refiro, só terão
conhecimento aqueles que estiverem dentro da Shidoshi-kai (Associação
de Instrutores), na qual fica determinado que o Shidoshi-ho
siga primeiro as regras de participação da Bujinkan,
juntamente com as regras da Shidoshi-kai orientado por um
Shidoshi.
3 - Há
ética sobre participação na Bujinkan?
Manji:
Sobre a ética de participação, eu gostaria de deixar bem
claro: Primeiramente, antes deve se avaliar a pessoa, tem
que estar claro que a Bujinkan não permite praticantes que
não vivem de acordo com a sociedade. Para isso existem "3
etapas:" Ter uma vida familiar estável; estar estudando e/ou
trabalhando e concordar com as regras de participação da
Bujinkan. Só assim poderá ser aceito para a prática do
Ninjutsu. As pessoas que tem problemas com a família, que
não estejam estudando e/ou trabalhando, não podem praticar.
O porquê disso tudo é simples: família é o mais importante
na vida e sem trabalhar não se ganha dinheiro para viver
dentro da sociedade de hoje. Não se deve colocar o Ninjutsu
em primeiro lugar, não existe a profissão de instrutor de
Arte marcial, porque no Japão isso é Cultura e cultura deve
ser transmitida e ensinada, e não vendida! A mensalidade
serve para fins de gastos do Dojo. O instrutor deve usar a
renda do Dojo para que o mesmo também pratique e invista em
melhorias no Dojo, e não para uso pessoal. Isso é errado
para qualquer Artista Marcial. Eu sigo estas 3 etapas,
juntamente com todos aqueles que comigo estão. Não permito
que entrem no Dojo sem avaliação pessoal. Darei o melhor
exemplo: Soke Hatsumi estudou e se formou numa universidade
conceituada em Tokyo. Logo em seguida ingressou na medicina
onde trabalhou até se aposentar, cumprindo com sua obrigação
na sociedade. Em seguida após se aposentar dedicou-se a
Bujinkan. Mesmo quando já era Mestre da Bujinkan, ainda
antes de se aposentar, continuou a exercer a medicina. Nunca
sobreviveu do dinheiro da Bujinkan e ainda hoje não precisa
do mesmo, pois ele recebe sua aposentadoria do Governo do
Japão. Se alguém conhecer algum instrutor que viva
financeiramente da Bujinkan, com certeza está sendo iludido
por alguém que não respeita as regras da Bujinkan. Além de
ser uma vergonha, por dizer ser representante da mesma.
4 - Qual
a diferença entre alunos japoneses e extrangeiros?
Manji:
As diferenças são poucas. Claro que se for japonês, só sua
palavra basta. A Bujinkan é japonesa, se algum estrangeiro
for treinar no Japão irá com certeza entender o que eu digo.
Muitos estrangeiros vão ao Japão praticar um ou dois finais
de semana por ano. Já os japoneses treinam regularmente com
Soke, ou com aqueles que foram e são alunos de Soke Hatsumi
em um período mínimo de 20 a 30 anos, os quais treinaram e
treinam diretamente com Soke Hatsumi. Não daria para se
comparar tecnicamente, pois vi por mim mesmo que muitos
estrangeiros graduados, não têm nem metade dos fundamentos e
bases dos alunos japoneses um pouco menos graduados. A
diferença está no tempo e qualidade técnica ensinada:
primeiramente deve-se compreender o idioma japonês e depois
interpretar a técnica. Filosofia é o fundamento da técnica.
Só lembrando que não é possível entender 100% da Filosofia
sem falar o idioma e compreender a cultura japonesa.
Aprendendo como e quando usar para depois praticar e não o
contrario. Assim transmito para meus alunos: a filosofia vem
antes da técnica.
5 - Como
foi o seu convívio na Bujinkan no Japão?
Manji:
Meu convívio no Japão foi e é muito bom. Treino com Someya
Sensei, o qual considero muito mais do que um Sensei, um
grande amigo. Muitas vezes ele me deu conselhos como se
fosse meu pai. Simplificaria meu respeito por ele, o mesmo
que tenho com o meu pai. Meus verdadeiros amigos e irmãos de
Someya Dojo, o qual devo muito respeito e consideração por
serem companheiros de treino, os quais me fizeram sentir
como se eu fosse um deles. Inclusive na minha volta ao
Brasil, jamais vi tamanha demonstração de amizade. Fizeram
uma festa de despedida para mim da qual jamais me esquecerei,
todos os alunos japoneses do Someya Dojo estavam lá. Todos,
um a um me disseram o seu pensamento e relação a mim. Fico
sempre pensando nos conselhos dados por eles quando vou
treinar. Se eu disser o que todos me falaram iria ocupar
muitas linhas, e também não poderia, pois isso tudo é
pessoal. Só não me esqueço de uma frase que me marcou
profundamente: “Manjisan na aparência você é diferente, mas
o seu coração e pensamento são iguais ao nosso, te considero
como um irmão mais novo”. Em relação aos treinamentos,
treinava regularmente 4 vezes por semana com Someya Sensei e
1 a 2 vezes por semana no Hombu Dojo com Hatsumi. Levei esta
vida por quase 2 anos. No Brasil treinei por cerca de uns 8
anos. No total já fazem mais ou menos uns 12 anos que treino
na Bujinkan, e mais ou menos 3 anos e meio que realmente
conheci o que é Bujinkan através de Someya Sensei e Soke
Hatsumi. Eu fiz jus a meu treinamento no Japão, me dediquei
e pesquisei a fundo o que era de meu interesse. Quando tiver
meu próprio Dojo, já terei um nome no qual foi dado pelo
Soke Hatsumi, e o guardo comigo até então. Tenho muitos
amigos no Japão em vários Dojos, também tenho amigos pelo
mundo. Muitos conheci no Japão quando morava em Noda,
próximo ao Hombu Dojo cerca de uns 800 metros. Ingleses e
americanos que moram lá no Japão, e outros que só vão lá
para treinar com Soke Hatsumi como espanhóis e italianos,
também considero como amigos. Tenho minha vida pessoal no
Brasil e no Japão que fazem parte da minha personalidade, ou
seja, respeito e sigo as culturas japonesas por ser neto e
filho de japonês. Mas, no entanto sou brasileiro por
natureza. Posso dizer que conheci e faço parte da Bujinkan
Japão, na qual treino e tiro minhas dúvidas. O que ensino é
somente o que aprendi no Japão, sem passar por
intermediários. Faço meu trabalho da maneira que me foi
instruído por meu Sensei.É somente a ele e a Soke Hatsumi
que devo explicações. No mais, pratico, treino e ensino
Ninjutsu Bujinkan com base, fundamento, segurança e
confiança. Porque tenho comigo uma grande responsabilidade.
“A
verdadeira essência da Arte Marcial está naquele que a busca
em sua raiz e não em suas ramificações”.
NINPO IKKAN! Marco Manji
- 2002
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